sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Poema de Carlos Tronco....Nosso amigo e colaborador...um grande Poeta.


Trasmontana

Saia comprida mas negra

debaixo do avental

Blusa de cores, garrida

manta cinzenta, mortal.


Nos cabelos carrapito

nos olhos, o infinito

nos lábios, o sabor do mal.


O rosto fora bonito

cobre-a um lenço esquisito

Que é afinal? Que faz afinal?


É norte, são Trás-os-Montes

por vezes perto das fontes

pode-se ver, a fiar...


Leva na mão uma roca

com a outra gira o fuso

a lã é de cordeiro luso

em cada pé uma soca


Não tece esperança, mas medos

e a lã que se fia

é a única alegria

que lhe passa pelos dedos.


À mãe lurdes

Às mulheres de Tinhela, concelho de Valpaços.


Carlos Tronco

Mondeville - França

24/08/06