
Trasmontana
Saia comprida mas negra
debaixo do avental
Blusa de cores, garrida
manta cinzenta, mortal.
Nos cabelos carrapito
nos olhos, o infinito
nos lábios, o sabor do mal.
O rosto fora bonito
cobre-a um lenço esquisito
Que é afinal? Que faz afinal?
É norte, são Trás-os-Montes
por vezes perto das fontes
pode-se ver, a fiar...
Leva na mão uma roca
com a outra gira o fuso
a lã é de cordeiro luso
em cada pé uma soca
Não tece esperança, mas medos
e a lã que se fia
é a única alegria
que lhe passa pelos dedos.
À mãe lurdes
Às mulheres de Tinhela, concelho de Valpaços.
Carlos Tronco
Mondeville - França
24/08/06